Estes insetos representam o grupo de artrópodes com importância em Saúde Pública, melhor estudado e mais conhecido no meio acadêmico.

Estão classificados na Ordem Díptera e pertencem à Família Culicidae, conhecidos popularmente como pernilongos, muriçocas ou carapanãs.

O ciclo biológico compreende as fases de ovo, quatro estágios larvais, pupa e adulto. As formas jovens ou imaturas desenvolvem-se na água em diferentes tipos de criadouros. Os adultos possuem um par de asas, pernas e antenas longas e a grande maioria apresenta hábitos hematófagos.

CICLO_MOSQUITO
 

Os mosquitos machos alimentam-se de seiva de plantas e somente as fêmeas picam, por necessitar de sangue para a maturação de seus ovos. O hábito hematófago confere aos mosquitos uma titulação de grandes vilões da natureza, em consequência do elevado número de doenças transmitidas direta ou indiretamente ao homem, tornando-se também difícil enaltecê-los pela sua importância ecológica no processo de polinização, onde exercem a função de recompor as áreas verdes.

Algumas espécies destacam-se pela importância em Saúde Pública, transmitindo doenças, como a febre amarela, dengue, malária, alguns tipos de encefalites, filariose, sendo consideradas, também, indicadoras da decadência ambiental pela capacidade de proliferação em contenções líquidas provenientes da precariedade de condições básicas de saneamento.

O pernilongo comum (Culex quinquefasciatus) representa uma destas espécies. São mosquitos com hábitos crepusculares ou noturnos, incomodando o sono, perturbando ou mesmo estressando pessoas em seus locais de trabalho ou em momentos de lazer. Esta espécie tem grande importância social, pois interfere diretamente na produtividade, podendo acarretar, inclusive, acidentes de trabalho.

Pernilongo comum (Culex quinquefasciatus)  

                       

Formas imaturas (larvas) do pernilongo comum (Culex quinquefasciatus)             


Fêmea de pernilongo comum (Culex quinquefasciatus) após a alimentação sanguínea
 

A presença de pernilongos na área urbana é motivada pelas retenções de água poluída em valas, córregos, rios, rede de esgoto e do sistema de drenagem pluvial.

O Aedes aegypti e o Aedes albopictus são as espécies diurnas com expressiva importância médica. Sua presença no meio urbano é incentivada pelo descompromisso humano em manter no ambiente uma grande e variada disponibilidade de pequenos recipientes artificiais com água limpa retida, que permitem o desenvolvimento das formas jovens.

Não é possível esquecer a responsabilidade do Aedes aegypti nas grandes epidemias de Dengue, ocorridas nos últimos anos em muitos centros urbanos, inclusive com registro de vários óbitos.
Outros mosquitos com serias ocorrências nos centros urbanos são: Culex coronator, Culex dolosus, Aedes fluviatilis, Ochlerotatus scapularis, além de várias espécies do gênero Anopheles.

O ambiente urbano é bastante rico em condições propícias à proliferação de mosquitos, seja em condições para abrigo ou para desenvolvimento das formas jovens.

Por essa razão, pequenas atitudes podem auxiliar bastante para a redução da infestação em uma determinada área, como por exemplo:

  • Evitar água parada.
  • Sempre que possível, esvaziar e escovar as paredes internas de recipientes que acumulam água.
  • Manter totalmente fechadas cisternas, caixas d’água e reservatórios provisórios tais como tambores e barris.
  • Furar pneus e guardá-los em locais protegidos das chuvas.
  • Guardar latas e garrafas emborcadas para não reter água.
  • Limpar periodicamente calhas de telhados, marquises e rebaixos de banheiros e cozinhas, não permitindo o acúmulo de água.
  • Jogar quinzenalmente desinfetante nos ralos externos das edificações.
  • Drenar terrenos onde ocorra formação de poças.
  • Não acumular latas, pneus e garrafas.
  • Encher com areia ou pó de pedra poços desativados ou depressões de terreno.
  • Manter fossas sépticas em perfeito estado de conservação e funcionamento.
  • Colocar peixes barrigudinhos em charcos, lagos ou água que não possa ser drenada.
  • Não despejar lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos, mantendo-os desobstruídos.
  • Manter permanentemente secos subsolos e garagens.
  • Não cultivar plantas aquáticas.

Sobre os serviços prestados

A prestação de serviços para controle de mosquitos consiste na realização de um conjunto de ações aplicadas tanto para a fase jovem (larvas) quanto para a fase adulta.

Destaca-se que o controle das formas jovens deverá ser considerado sempre a base para a prestação dos serviços, por ser uma atividade de menor impacto e eficácia prolongada, enquanto que a metodologia de aplicação espacial de inseticida, através da termonebulização (fog) ou ultrabaixo volume (fumacê) deverá ser realizada como ação complementar.

Para o controle das formas jovens realiza-se a pulverização de inseticida (larvicida) diretamente nos criadouros ou nas retenções de água que não podem ser removidas mecanicamente.

O controle dos mosquitos adultos poderá ser realizado através da pulverização de inseticida nas superfícies de pouso, principalmente em paredes e atrás de móveis, em vãos estruturais e outros possíveis locais de abrigo.

A periodicidade entre as aplicações deverá ser determinada pela empresa prestadora de serviço, com base nas características ambientais da área, no tipo de superfície tratada e nas características do inseticida utilizado.

O tratamento espacial, conhecido também como “fog” ou “fumacê” consiste na aplicação aérea através de equipamentos capazes de fracionar o inseticida em partículas muito pequenas que flutuam no ar por algum tempo. Este procedimento sempre deverá possuir ação complementar às ações de controle das formas jovens, por não apresentar ação residual no ambiente tratado, posto que a realização dessas aplicações continuadas poderá gerar grandes impactos ambientais.

Um alerta sobre o emprego do “fog” ou do “fumacê” é referente ao horário da prestação do serviço, que deverá ser compatível com o período de atividade da espécie-alvo, pois o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, apresenta hábitos diurnos enquanto que o pernilongo comum, Culex quinquefasciatus, tem seu período de maior atividade ao entardecer.

Essa metodologia não poderá ser aplicada em dias chuvosos, quando a velocidade do vento for superior a 6 km/hora e em ambientes fechados, como garagens, vãos estruturais, poços de elevadores, etc.

A empresa responsável pelo serviço deverá fornecer aos clientes toda a orientação necessária sobre proteção à saúde e danos ambientais.

Orienta-se que no Estado do Rio de Janeiro, a prestação de serviços de controle de mosquitos somente poderá ser realizada por empresas licenciadas pelo Inea e que após a realização de quaisquer serviços deverá ser concedido ao cliente um documento denominado Comprovante de Execução de Serviços, que deverá conter obrigatoriamente o nome do responsável técnico, constando informações sobre o inseticida aplicado e apresentando sugestões de medidas preventivas ou corretivas, visando a minimização do uso de inseticidas.