Institucional

05/10/2018

O Parque Estadual da Pedra Branca, situada na Zona Oeste do Rio e administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), inaugurou, nesta quinta-feira (27/9), a Trilha do Mel totalmente adaptada para receber visitantes portadores de deficiência visual.

O atrativo recebeu placas em braile, elaboradas pelo Instituto Benjamin Constant. Além disso, foram instalados mourões que funcionam como base para uma corda que foi implementada para que os visitantes especiais possam utilizá-la como apoio. A corda tem um detalhe importante: os nós foram confeccionados com partes de galhos e folhas das árvores de forma a proporcionar a essas pessoas a percepção da textura da flora.

Também foram instaladas placas informativas, em braile, próximas às árvores com informações de espécies da flora presentes na trilha. Esse material é uma iniciativa do Instituto Butantã.

É uma trilha sensorial, ou seja, foi preparada para proporcionar aos nossos visitantes portadores de deficiência visual uma experiência de contato com a natureza. Ao longo do percurso, há rampas de acesso, corrimões feitos com uma corda e placas em braile com informações sobre a importância das abelhas nativas para o equilíbrio ecossistêmico do Parque da Pedra Branca.

Com aproximadamente 300 metros de extensão, a Trilha do Mel começa no Bromeliário e termina na trilha do Rio Grande, no Núcleo Pau da Fome, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio onde estão dispostas 15 caixas ornamentais em forma de casa para abrigar abelhas. A trilha foi criada com o objetivo de preservar as abelhas nativas procedentes de áreas de risco dentro ou nas proximidades do Parque Estadual da Pedra Branca, e de resgate de abelhas de área de supressão de vegetação. A mesma possui caráter educativo e científico, uma vez que a unidade de conservação possui dez espécies de abelhas: Mandaçaia (Melipona quadrisfaciata quadrisfaciata), Uruçu amarela (Melipona rufiventris), Guaraipo (Melipona bicolor bicolor), Iraí (Nannotrigona testaceicornis), Mirim (Plebeia droryana), Mirim (Plebeia remota), Jataí (Tetragonisca angustula), Guiuruçu (Schwarziana quadripunctata), Caga fogo (Oxytrigona tataira tataira) e Mandaguari (Scaptotrigona postica). Todas são abelhas nativas da Mata Atlântica, sem ferrão, e presentes em seu habitat natural dentro do Parque.

Com 12. 492 hectares, o Parque Estadual da Pedra Branca abrange partes dos bairros de Jacarepaguá, Taquara, Camorim, Vargem Pequena, Vargem Grande, Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Padre Miguel, Bangu, Senador Camará, Jardim Sulacap, Realengo, Santíssimo, Campo Grande, Senador Vasconcelos, Guaratiba e Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio.

 

Curiosidades sobre as abelhas nativas sem ferrão

As abelhas sociais nativas, também chamadas de meliponíneos, são as únicas que possuem o ferrão atrofiado, por isso não ferroam, daí o nome “abelha sem-ferrão”, como são tradicionalmente manejadas pelos indígenas, também são conhecidas como “abelha indígena” (Lopes et al. 2005).

Nativas das florestas tropicais úmidas e de outros ambientes das Américas (Levy 2004), ocupam grande parte das regiões de clima tropical, fazem seus ninhos em troncos de árvores, fendas, pedras, no solo, pendurados em galhos, sendo facilmente encontradas nos Parques de nosso Estado.

As abelhas nativas sem ferrão merecem destaque por serem elementos de extrema importância para a manutenção da vida no planeta, pois elas são responsáveis pela polinização de até 90% das árvores nativas (Kerr et al. 1996).