Como é feito o monitoramento das praias?

As condições de balneabilidade das praias do Estado do Rio de Janeiro são divulgadas regularmente por meio dos Boletins de Balneabilidade das Praias, divulgados periodicamente no portal do INEA e no aplicativo Partiu Praia. Esses boletins informam as condições vigentes das praias para efeito de balneabilidade, orientando a população no uso diário das mesmas.

Atualmente, o INEA acompanha a qualidade das águas de 201 praias através de monitoramento sistemático e contínuo realizado em 291 pontos de amostragem distribuídos em todo o Estado do Rio de Janeiro, abrangendo um total de 22 municípios.

A avaliação da qualidade das águas das praias, para fins de banho e recreação – que determina as condições de balneabilidade de um corpo hídrico – é feita a partir da comparação entre os níveis de contaminação da água por Coliformes Termotolerantes e Enterococos, segundo os padrões previstos na legislação vigente (Resolução CONAMA nº 274/2000), através da classificação nas categorias própria e imprópria.

O termo Balneabilidade é a capacidade que um local tem de possibilitar o contato direto e/ou prolongado com suas águas em atividades esportivas (natação, mergulho, esqui-aquático, etc) e no banho, ou seja, é a qualidade das águas destinadas à recreação de contato primário.

Pela natureza multifatorial da avaliação da balneabilidade, a estratégia utilizada pelas normas e diretrizes vigentes em todo o mundo, e também sugerida pela Organização Mundial da Saúde, é de analisar a presença de indicadores microbiológicos que estimam o risco potencial de se contrair doenças infecciosas por meio do uso das águas para banho.

Diversos são os fatores que concorrem para a presença dos indicadores bacteriológicos nas águas destinadas para recriação de contato primário:

  • A existência/abrangência de sistemas de coleta, tratamento e disposição dos efluentes domésticos da região (infraestrutura sanitária),
  • A proximidade de rios, canais e galerias pluviais afluindo diretamente ao mar,
  • A dinâmica da circulação das águas,
  • A ocorrência de chuvas e demais fatores meteorológicos,
  • As condições de maré,
  • Entre outros.

Resolução CONAMA nº 274/2000  estabelece que as águas doces, salobras e salinas, destinadas à recreação de contato primário, devem ter suas condições estudadas afim de classificar tais águas nas categorias própria e imprópria.

A Resolução define, ainda, os critérios de balneabilidade utilizando parâmetros de referência, como Coliformes Termotolerantes e Enterococos, e considera que as águas podem ser subdivididas nas seguintes categorias:

  • Excelente: quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo, 250 Coliformes Termotolerantes ou 25 Enterococos por l00 mililitros.
  • Muito Boa: quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo, 500 Coliformes Termotolerantes ou 50 Enterococos por 100 mililitros.
  • Satisfatória: quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo 1.000 Coliformes Termotolerantes ou 100 Enterococos por 100 mililitros.
  • Imprópria: a) quando do não atendimento aos critérios estabelecidos para as águas próprias (Categorias Excelente, Muito Boa e Satisfatória), e b) quando o valor obtido na última amostragem for superior a 2500 Coliformes Termotolerantes ou 400 Enterococos por 100 mililitros.

Programa de Monitoramento Sistemático

O Programa de Monitoramento Sistemático de Qualidade de Água do INEA tem como objetivos principais acompanhar as variáveis de qualidade de água, permitindo a análise da evolução das condições da qualidade das águas ao longo do tempo, além de fomentar o estabelecimento de sistemas de informação para a gestão dos recursos hídricos, dando suporte aos usos múltiplos.

O número de estações de amostragem e a localização destas variam em função da extensão e fisiografia da praia, além de levar em consideração a existência de pontos de influência, como rios, canais e galerias pluviais.

Além disso, a frequência de amostragem nas praias da zona sul e zona oeste do município do Rio de Janeiro e das praias de Niteroi é de duas vezes por semana, e semanal no caso das praias de Paquetá. Enquanto nas demais praias do Estado do Rio de Janeiro a frequência de amostragem varia entre quinzenal (sendo o caso, por exemplo, das praias de Saquarema, Búzios e Rio das Ostras) ou mensal (sendo o caso, por exemplo, das praias de Paraty, Mangaratiba e Sepetiba).