BAÍA DE SEPETIBA
A Baía de Sepetiba é um corpo de águas salinas e salobras, que se comunica com o oceano Atlântico por meio de duas passagens, na parte oeste entre os cordões de ilhas que limitam com a ponta da Restinga, e na porção leste, pelo canal que deságua na Barra de Guaratiba.
A Baía de Sepetiba constitui um criadouro natural para diversas espécies em suas áreas de mangue e zonas estuarinas, sendo a atividade pesqueira um importante suporte econômico e social para a região. Além disso, suas águas servem à preservação da flora e fauna, à recreação, à navegação e, graças à beleza cênica da região, com suas cachoeiras e ilhas, possui áreas propícias ao turismo. Cabe destacar a restinga da Marambaia , cujas características são próprias das definições clássicas dos ecossistemas de restinga, imensa barragem de areia que apesar de seus poucos metros acima do nível do mar, funciona como um dique, isolando as águas da Baía do oceano.
Bimestralmente o Inea realiza o monitoramento da Baía de Sepetiba em 14 estações de amostragem, com o objetivo de acompanhar os principais indicadores físico-químicos de qualidade de água, bem como a qualidade dos sedimentos e da biota.
O principal objetivo do monitoramento da Baía de Sepetiba visa à avaliação da qualidade dos sedimentos e a previsão do fluxo de contaminantes, cujos indicadores possibilitam a avaliação dos níveis de contaminação e permitem avaliar a evolução da poluição de origem industrial ao longo do tempo proveniente não apenas da bacia hidrográfica, como também da Cia. Mercantil e Industrial Ingá .
Localizada no município de Itaguaí, Ilha da Madeira, ZUPI de Coroa Grande, a Cia. Mercantil Ingá, que tinha como principal atividade a produção de zinco de alta pureza, atualmente em situação falimentar representa ainda, o maior risco potencial de agressão ao ecossistema da região. Seus estoques de resíduos, acumulados há mais de 30 anos, contaminaram e ainda ameaçam e fragilizam o equilíbrio ecológico da Baía de Sepetiba. Hoje, a Ingá, encontra-se sob intervenção Federal, o que limita a atuação do Estado.
Nessa baía de águas abrigadas, encontra-se o antigo Porto de Sepetiba, hoje Porto de Itaguaí, que ocupa uma área de 10,4 milhões de metros quadrados no Município de Itaguaí, ao sul e a leste da Ilha da Madeira. A ampliação e a expansão do Porto de Sepetiba, do canal de acesso e bacia de evolução, visando sua adequação para o recebimento de navios cada vez maiores e mais rápidos, exigiu a realização de obras de dragagem para o aprofundamento do canal, o que significou uma intervenção potencialmente poluidora.
A ocupação crescente da costa gerou problemas ambientais e os impactos das atividades portuários amalgamaram-se ao panorama de embates sócio-ambientais. Hoje, o gerenciamento dos conflitos ambientais na região costeira onde estão inseridas as atividades portuárias, entre outras, aparece com relevância e imprime urgência da gestão costeira por meio de políticas de intervenção e instrumentos legais para defrontar positivamente a ação pragmática de conflito.
A infra-estrutura portuária reveste-se em uma barreira entre a cidade o mar, e ainda interfere vigorosamente no uso e ocupação do solo. Entretanto, a política ambiental do Estado vem condicionando as atividades e instalações portuárias de modo a reescrever uma nova etapa, e administrando equilibradamente choques sócio-ambientais.
A bacia hidrográfica da Baía de Sepetiba é uma das principais fontes de poluição da Baía de Sepetiba, na medida em que a poluição de suas águas por lançamentos de efluentes domésticos e industrais compromete a qualidade das águas da Baía; mais ainda, o aporte de partículas em suspensão pela ocorrência de intensos processos erosivos observados em toda a bacia.
Acrescenta-se, também, a precariedade de um planejamento urbano e territorial, a deficiência dos sistemas de resíduos sólidos e de drenagem, bem como a ocorrência de processo de desmatamento e o uso inadequado do solo tanto urbano quanto rural.
Estações de amostragem da Baía de Sepetiba
Estações de amostragem dos rios da baixada da Baía de Sepetiba
ÁGUA DE LASTRO
A introdução de espécies exóticas em diferentes ecossistemas, por meio da água do lastro dos navios e por incrustação no casco e amarras, é hoje considerada uma das quatro maiores ameaças aos oceanos do mundo. Em contraponto com as demais formas de poluição, que são revertidas por medidas mitigadoras, a importação e exportação de espécies invasoras, por meio da água de lastro, são consideradas drasticamente irreversíveis.
A "água de lastro" - colocada no porão do navio para lhe dar estabilidade, balanço e integridade estrutural - contém não apenas a água retirada do oceano, como também os sedimentos acumulados nos tanques dos navios, que freqüentemente são descarregados junto com a água de lastro e que contêm grande quantidade da comunidade planctônica.
A sensibilidade ambiental da região, a proximidade com a cidade do Rio de Janeiro, e o porto de Itaguaí fizeram com que a Baía de Sepetiba fosse selecionada para o projeto piloto, no âmbito do Programa GloBallast Water . Os resultados obtidos nesse estudo de caso deverão fundamentar o Plano Nacional de Controle e Gerenciamento da Transferência Indesejável de Organismos Aquáticos e Patogênicos por Água de Lastro de Navios, e servirá para o estabelecimento de diretrizes para a proteção da biodiversidade costeiro-marinha associadas aos mecanismos de controle ambiental.
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RESTINGA DA MARAMBAIA
Com cerca de 79km², compreende a restinga propriamente dita e o Morro ou Ilha da Marambaia. Estende-se da Barra de Guaratiba a leste, até o Morro da Marambaia a oeste, e chega a distar 18km do bordo continental. A Restinga da Marambaia é área sob gerência da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro.
O intenso processo de erosão que a restinga vem sofrendo, decorrente da ação de fatores físicos, tais como correntes, ventos, e ondas, justifica o interesse técnico-científico despertado nessa região.
| EROSÃO DA PARTE CENTRAL RESTINGA DE MARAMBAIA |
| ANO |
1868 |
1975 |
1978 |
1981 |
1984 |
1990 |
1994 |
1996 |
2001 |
2003 |
2004 |
| LARGURA(m) |
360 |
158 |
158 |
120 |
100 |
120 |
90 |
100 |
100 |
90 |
100 |
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias/INPN Link para o site do INPH
Demais informações podem ser solicitadas à Gerência de
Avaliação de Qualidade das Águas: gequam@inea.rj.gov.br.
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