Notícias |11.05.2026

Após meses de reabilitação, Inea solta três animais silvestres na Reserva da Juatinga, em ParatyDuas corujas-murucututu e um filhote de gambá-de-orelha-preta foram devolvidos à natureza após cuidados intensivos no Centro de Reabilitação de Animais SIlvestres de Mambucaba

Na tarde de sexta-feira (8/5), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) realizou a soltura de três animais silvestres em Paraty, na Região da Costa Verde. Duas corujas-murucututu (Pulsatrix koeniswaldiana) e um filhote de gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) foram devolvidos à natureza dentro da Reserva Ecológica Estadual da Juatinga (Reej). As aves passaram mais de quatro meses em recuperação no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mambucaba (CRAS).

As corujas-murucututu deram entrada no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mambucaba (CRAS) nos dias 6 de outubro de 2025 e 4 de dezembro de 2025, quando ainda eram filhotes. O primeiro indivíduo foi resgatado por guarda-parques do Inea, na época, desidratado e com parasitas. Cuidados intensivos e acompanhamento especializado garantiram seu desenvolvimento e concluíram o objetivo: um retorno à vida livre com todas as condições necessárias.

Durante os meses de reabilitação, as aves passaram por etapas essenciais para a espécie. Inicialmente, permaneceram em ambiente controlado e seguro, que simulava as condições de um ninho. Esse processo garantiu conforto, adaptação e desenvolvimento adequado dos filhotes. Em seguida, foram transferidas para um viveiro externo de tamanho reduzido, permitindo um maior contato com estímulos naturais e o fortalecimento gradual da musculatura.

Na fase final, ambas as corujas foram encaminhadas para um recinto externo de grandes proporções. Esse espaço foi destinado ao treinamento de voo, ao condicionamento físico e à prática de caça, habilidades fundamentais para a sobrevivência no habitat natural.

Já o gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), que também foi solto no mesmo dia, passou por um processo semelhante. Ao contrário da Pulsatrix koeniswaldiana, o animal foi resgatado após a mãe ter sido atropelada e ir a óbito. Apesar do incidente, o indivíduo e outros 8 filhotes sobreviveram por estarem protegidos no marsúpio materno (bolsa abdominal) e serem levados rapidamente para o Cras. 

Devido a pouca idade, a espécie recebeu cuidados intensivos neonatais, como por exemplo: alimentação assistida, controle térmico e monitoramento aos estímulos graduais para adaptação na vida independente. Os animais vêm sendo soltos de acordo com o desenvolvimento individual de cada um. 

Sobre a Reserva

A Reserva Ecológica Estadual da Juatinga (REEJ) é uma unidade de conservação localizada no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, no município de Paraty, na região da Costa Verde sul-fluminense. Com uma área de 9.797 hectares, abriga importantes remanescentes de Mata Atlântica, além de ecossistemas como restingas, manguezais e costões rochosos.

Criada em 1992, a REEJ tem como objetivo proteger a biodiversidade, a paisagem natural e a cultura tradicional caiçara. Atualmente, cerca de 1.500 pessoas vivem na unidade, distribuídas em 15 comunidades e núcleos de ocupação ao longo da costa. Toda a área da reserva está inserida na Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, unidade de conservação federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação.