Notícias |30.11.2020

Após reabilitação, Inea liberta coruja-orelhuda na naturezaA equipe da unidade de conservação Refúgio de Vida Silvestre Estadual da Serra da Estrela fez o resgate em setembro e a soltura na última semana

Na última quarta-feira (25/11), os guarda-parques do Refúgio de Vida Silvestre Estadual da Serra da Estrela (REVISEST), unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), soltaram na natureza uma coruja-orelhuda (Asio clamator), após cerca de três meses em tratamento por uma fratura na asa. Um morador de Magé, em setembro, fez o chamado e a equipe da unidade realizou o resgate do animal.

Após ser resgatado com o apoio da equipe da Reserva Biológica Estadual de Araras, os guarda-parques identificaram ferimentos na asa do animal silvestre e, imediatamente, o direcionaram para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá (CRAS) para tratamento na clavícula. Ao final da reabilitação, a coruja-orelhuda pode ser solta na mesma localidade onde foi resgatada. “Toda a ação contou com a parceria dos moradores locais, ampliando a capilaridade de atuação da unidade de conservação com as comunidades vizinhas, valorizando o papel dos cidadãos e o senso ambiental. Tivemos o enorme prazer de devolver uma coruja-orelhuda à natureza”, explica o gestor do REVISEST, Eduardo Pinheiro.

Apesar de não ser ameaçada de extinção, os principais perigos para o animal consistem na caça ilegal, perda de habitat natural por ações de desmatamento e atropelamentos rodoviários. “Muitas pessoas enxergam esses animais como seres místicos por suas características, isso gera a caça e venda ilegal, seus cantos e vocalizações, muitas vezes, são tidos como mau presságio, o que as tornam alvos de ataques”, explica o gerente da Fauna do Inea, Marcelo Cupello.

A coruja-orelhuda é uma ave de rapina – uma vez que a espécie captura e leva consigo o alimento – e é chamada assim pois, no alto da cabeça, sobre os olhos, apresentam penas ressaltadas que se assemelham a orelhas. O animal — que não faz mal aos seres humanos e inclusive ajuda no controle roedores e anfíbios —pode ser encontrado em todos os biomas brasileiros, com exceção das áreas florestais da Amazônia e, frequentemente, está nos centros urbanos.

Sobre o refúgio

O Refúgio de Vida Silvestre Estadual da Serra da Estrela, localizado na Região Serrana do Rio, é a unidade de conservação mais recente criada no Estado do Rio de Janeiro e responsável por formar um corredor ecológico entre duas grandes unidades de conservação federais: a Reserva Biológica do Tinguá e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. O refúgio abrange parte dos municípios de Petrópolis, Magé e Duque de Caxias.