Localizada em Santa Maria Madalena, a sede do Parque Estadual do Desengano do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) foi presenteada com a inusitada visita de uma família de macacos bugio (Alouatta guariba guariba). O pai, a mãe e um filhote aproximaram-se da casa administrativa quando o guarda-parque Mateus Guinancio conseguiu fotografar um deles.
O raro registro representa uma vitória para a biodiversidade do Estado do Rio. Isso porque o bugio sofreu drástica redução populacional no passado e permanece ameaçado de extinção (Está classificado como vulnerável à extinção, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza).
A perda de habitat e o surto de Febre Amarela (entre 2016 e 2018) foram os principais fatores que contribuíram para dizimar populações de bugios que, agora, começam a ressurgir na natureza. A presença deles simboliza a recuperação da espécie e os resultados concretos das ações de conservação.
O bugio é um dos primatas mais emblemáticos da Mata Atlântica. A espécie é conhecida por sua vocalização forte (som grave, potente e prolongado), que pode ser ouvida a quilômetros de distância. O urro característico serve para demarcar o território. Ele vive em grupos nas copas das árvores e desempenha um papel essencial para a floresta: Ao se alimentar de folhas, frutos e flores, o bugio ajuda a espalhar sementes, contribuindo diretamente para a regeneração e o equilíbrio do ambiente natural.