Durante o entardecer desta sexta-feira (10/1) na Praia do Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, 20 filhotes de tartarugas-cabeçudas (Caretta caretta) puderam chegar ao mar em segurança com o apoio das equipes do Parque Estadual da Lagoa do Açu, administrado pelo Inea, do Projeto Tamar e da Reserva Caruara. A caminhada dos animais, de espécie ameaçada de extinção, reuniu quase 200 pessoas, entre moradores e turistas, em um dos principais pontos da cidade.
– Este ato simboliza o impacto positivo de nossos esforços conjuntos em preservar espécies ameaçadas e proteger seus habitats. Nossas unidades de conservação são peças-chaves não só para a proteção direta da fauna, mas também para trazer a população para perto – afirmou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.
O Norte Fluminense é uma das áreas prioritárias do Brasil para a desova de tartarugas-cabeçudas. A fêmea pode colocar até 120 ovos cada vez que sobe a praia para desovar e, em cada soltura, são cerca de 20 tartaruguinhas que seguem para o mar. A espécie consta na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como vulnerável, mas sua população tem aumentado nos últimos anos.
A desova e o processo de incubação dos animais aconteceram em uma das praias que integra o Parque Estadual da Lagoa do Açu, com maior proteção e menor movimento de banhistas.
– O parque é responsável pela preservação de mais de 14 km de praia. Contamos com um amplo trabalho de educação ambiental como ferramenta chave para garantir qualidade ambiental para a nossa fauna – pontuou o gestor da unidade de conservação estadual, Samir Mansur.
A escolha pela praia do Farol de São Tomé, uma das principais de Campos, é estratégica para educação ambiental. A ideia é difundir as boas práticas para a população acerca da preservação das tartarugas e do ambiente marinho.
Já que a eclosão e a migração das tartarugas para o oceano ocorre no período do verão, é preciso que os banhistas tenham atenção redobrada.
– Temos todo um trabalho de monitoramento desde a desova e aproveitamos esse momento da caminhada dos filhotes para passar informação para o público. Reforçamos sobre não transitar com veículos na areia, sobre a importância de cuidar do lixo e outros cuidados essenciais – explicou a coordenadora de Coordenação e Pesquisa do Projeto Tamar no RJ, Daniella Torres.
O Projeto Tamar trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil. A iniciativa monitora 62km de praia no Norte Fluminense, nos municípios de Campos dos Goytacazes e São João da Barra.
– Hoje moro no Rio, mas cresci aqui na cidade e fiz questão de trazer meu marido e minha filha para verem essa soltura. Finalmente conseguimos e eles ficaram maravilhados. É uma experiência única – contou Carolina Vasconcelos, presente na primeira caminhada do ano na região.