No último sábado (18) o Conexão Mata Atlântica, projeto coordenado pelo INEA/SEAS em parceria com EMATER-RIO/SEAPPA, celebrou a entrega de quase R$ 5 milhões em pagamentos por serviços ambientais (PSA), desde 2017, para 272 produtores rurais do estado. Somente em 2021, foram desembolsados mais de R$1,6 mi em PSA aos produtores rurais. O projeto abrange seis municípios do estado do Rio: Valença, Barra do Piraí, Italva, Cambuci, Varre-Sai e Porciúncula. O evento aconteceu no Parque Estadual da Serra da Concórdia, em Valença, que completou na mesma data 19 anos.
O presidente do Instituto Estadual do Ambiente – Inea, Philipe Campello participou do evento e destacou a importância de se quebrar a barreira entre meio ambiente e produção rural. “Não existe produção agrícola sem meio ambiente conservado. Estamos conseguindo promover essa ponte e o Conexão Mata Atlântica é resultado dessa ação conjunta”, afirmou.
Campello também parabenizou a atuação dos agentes ambientais do Parque Estadual da Serra da Concórdia e aproveitou para fazer um convite aos visitantes e comunidade local: “Só podemos defender aquilo que a gente conhece. Os parques são lugares de transformação social. É muito importante que as pessoas venham e se divirtam com responsabilidade e nos ajudem a defender não só nossa unidade, mas nossas florestas, rios e a biodiversidade”.
Durante o evento foi realizada a entrega do “Prêmio Produtor Destaque 2020”, direcionado aos produtores participantes do segundo edital de PSA (Edital 06/2019) do projeto Conexão Mata Atlântica. A produtora rural Ana Cristina Moreira Teixeira, do Sítio Santana, em Valença, foi a primeira colocada do edital por estar desenvolvendo ações de conservação, restauração ecológica e conservação produtiva em uma extensa área – mais de 100 ha.
Agentes ambientais do parque e produtores rurais do projeto Conexão Mata Atlântica também receberam certificados em reconhecimento aos serviços prestados. Os presentes também participaram de mutirão para o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica em uma área que está sendo restaurada dentro da unidade de conservação.
A celebração contou, ainda, com a presença do presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro – EMATER-RIO, Marcelo Costa, do secretário de meio ambiente de Barra do Piraí, Francisco Leite, do secretário de meio ambiente de Valença, Paulo Graça, do Diretor de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas do INEA, João Eustáquio e do gerente da Unidade de Conservação (GEUC), Andrei Veiga.
Ações do PESC
Além de oferecer diversos atrativos para o lazer e ecoturismo na região, o PESC desenvolve diversas ações de fiscalização, educação ambiental, restauração ecológica, manutenção da biodiversidade e de prevenção de combate a incêndios florestais.
Entre os destaques da atuação do PESC em 2021 estão as ações de prevenção e combate a incêndios florestais na região, que teve uma redução de mais de 60% em áreas atingidas por queimadas, se comparado ao ano anterior.
Neste ano, foram registradas apenas quatro ocorrências de queimadas, sendo uma na unidade e três nas proximidades do Parque – cerca de 85 hectares impactados. No ano passado, 20 áreas foram atingidas por queimadas (7 na unidade e 13 no entorno), num total de 237 hectares.
O chefe do Parque Estadual da Serra da Concórdia, Maurício Macedo, ressaltou, ainda, a ativação do viveiro de mudas, em parceria com empresa privada. “Produzimos uma média mensal de 1000 mudas, que são destinadas à doação e plantio no próprio parque. Somente este ano plantamos aproximadamente 800 mudas na unidade. A volta do público após o período crítico da pandemia foi uma grande alegria para nós. E no mês de aniversário do parque também estamos reabrindo a área de camping para os visitantes”, comemora.
As informações sobre agendamento para uso do camping serão comunicadas pelas redes sociais do PESC: @serra_da_concordia.
Destaque em PSA
O Conexão Mata Atlântica é – atualmente – a iniciativa mais expressiva de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) do estado do Rio de Janeiro em extensão e recursos já investidos. São mais de 2.600 hectares em ações de conservação de florestas nativas, restauração ecológica e conversão de áreas produtivas em sistemas agrosilvipastoris estão sendo desenvolvidos pelos produtores rurais. A previsão é que até 2023, conclusão do projeto, sejam investidos o total de R$ 9 milhões em PSA.
Segundo Marie Ikemoto, Gerente de Gestão do Território e Informações Geoespaciais do INEA e coordenadora geral do projeto, apesar das dificuldades causadas pela pandemia do novo coronavírus o saldo de 2021 foi muito positivo. “Conseguimos cumprir o cronograma dentro do previsto graças à parceria com os produtores rurais, que continuaram empenhados em executar as ações. No próximo ano, o foco será no monitoramento das áreas e na capacitação em práticas que contribuam na sustentabilidade das propriedades”, afirma.
Com financiamento do Fundo Global do Meio Ambiente (GEF), por meio do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), a iniciativa atua em áreas estratégicas para recuperação e manutenção da vegetação nativa e da biodiversidade na Bacia do Rio Paraíba do Sul, principal manancial de abastecimento público da região ao Sudeste do país.
A finalidade é contribuir para o aumento do estoque de carbono e a mitigação das mudanças climáticas por meio de ações de conservação florestal, restauração e apoio à implantação de sistemas silvipastoris e agroflorestais.
Fotos: Fabiano Veneza