A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade marcou presença no segundo dia da Conferência Latino-Americana da OCDE sobre Desenvolvimento Rural, realizado nesta terça-feira (26/11), no Museu do Amanhã. Durante o evento, especialistas e autoridades reforçaram o papel estratégico das soluções baseadas na natureza e do fortalecimento das economias rurais na resposta aos desafios climáticos e ambientais.
A primeira sessão, “Florestas e bioeconomia: criando oportunidades para o desenvolvimento econômico”, abordou como a cadeia florestal tem se consolidado como vetor de desenvolvimento regional. O painel também destacou que o equilíbrio entre conservação e uso econômico é essencial para garantir resiliência e sustentabilidade de longo prazo. Durante a sessão, a subsecretária de Mudanças do Clima e Biodiversidade, Marie Ikemoto, apresentou as principais iniciativas do Governo do Estado para a essa transição verde, entre elas a nova parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) .
Com investimento de R$ 12,8 milhões do FECAM, o projeto “Gestão Integrada das Paisagens da Mata Atlântica” prevê a consolidação de uma cadeia florestal robusta, apoiada em estudos do Zoneamento Ecológico-Econômico que identificam 631 mil hectares aptos à silvicultura econômica em Distritos Florestais prioritários. A iniciativa tem potencial para gerar impactos expressivos — como receita anual de até R$ 2 bilhões, US$ 5 bilhões em investimentos industriais e incremento de 0,5% no PIB estadual — além de ampliar a produção sustentável, fortalecer a transição energética e neutralizar emissões do setor agrícola e florestal.
– O Rio de Janeiro é um dos estados com maior percentual de cobertura de Mata Atlântica do Brasil, além de ser um grande consumidor de produtos agroflorestais, o que nos torna uma potência nesse setor. A parceria com o PNUD está dentro dessa grande estratégia de trabalhar o desenvolvimento florestal, avançando na geração e monitoramento de dados e envolvendo todo o setor produtivo – pontuou a subsecretária.
Estruturado em quatro eixos, o programa abrange planos estaduais de restauração, fortalecimento do setor florestal, monitoramento e biodiversidade, e incorpora estratégias financeiras inovadoras em parceria com o PNUD para mobilizar investimentos verdes e créditos de carbono de alta integridade, inspirando-se em experiências internacionais como a Iniciativa BIOFIN.
No fim da tarde, o debate avançou para a economia azul como um modelo de desenvolvimento que integra a sustentabilidade ambiental ao crescimento econômico. Foram apresentados casos práticos que ilustram essa integração: o programa de saneamento rural na bacia hidrogrgáfica do Guandu, que enfrenta o desafio cultural de engajar as comunidades; a iniciativa em Cabo Frio, que alia turismo, biotecnologia e economia solidária para resolver problemas ambientais como o excesso de algas; e a visão metropolitana do Rio de Janeiro, onde a concessão do saneamento é a base para recuperar a Baía de Guanabara e fomentar novos negócios sustentáveis.
— Temos que começar a trabalhar a economia azul desde agora, para quando chegarmos em 2033 termos a Baía de Guanabara, rios e nascentes saudáveis e, principalmente, um ecossistema de negócios já consolidado e operando em sintonia com esse novo paradigma de sustentabilidade — reiterou a subsecretaria de Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Ana Asti.