Há 45 anos atrás, nascia na Barra da Tijuca o primeiro laboratório estadual no Rio de Janeiro. Junto com ele, surgia uma nova fase da gestão ambiental fluminense. Nessas quatro décadas, o complexo laboratorial foi responsável pelo protagonismo do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) nas principais ações que ocorreram ao longo desses anos.
A Gerência de Análises Laboratoriais (GERLAB), iniciou ainda na década de 80, quando o órgão ambiental era a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), as coletas de balneabilidade e qualidade da água, que se mantém de forma periódica até os dias de hoje. Essas análises são essenciais para a saúde humana e ambiental, já que são elas que irão liberar o banho ou não de praias, e apontar se a água a ser tratada pelas concessionárias está livre ou não de substâncias tóxicas.
Para que as atividades fossem executadas com excelência, a fundação promoveu uma série de intercâmbios entre os servidores e profissionais de órgãos ambientais internacionais. Dentre os projetos, estava o “Brasil-Alemanha”, executado em 1987, com o intuito de estudar o que mais havia de moderno e tecnológico na Europa, e trazer para nossa realidade, de forma adaptada, as metodologias e parâmetros eficazes.
– A proposta da criação do laboratório em 1979 foi muito inovadora. Na época, o Governo do Estado ainda não tinha essa certificação e essa certeza de poder confiar em laudos químicos e biológicos. A FEEMA foi a peça-chave em diversos acontecimentos históricos, devido ao peso que o setor já tinha na época – pontuou o diretor de Segurança Hídrica e Qualidade Ambiental, Cauê Bielschowsky.
Um desses acontecimentos citados pelo diretor, foi o grande acidente no Rio Paraíba do Sul, em 2008. Na ocasião, uma indústria vazou acidentalmente cerca de 8 mil litros do pesticida endulsofan, que causou um impacto de larga extensão no rio mais importante do estado, que abastece toda a região metropolitana. Em 10 dias, a substância tóxica percorreu mais de 800 quilômetros e causou a mortandade de peixes.
– Nos dias que sucederam o acidente, os técnicos da FEEMA, trabalharam de domingo a domingo, para que a segurança hídrica fosse restabelecida. Esse episódio faz parte da nossa história, pois foi o laboratório, o responsável por atestar e liberar a volta da captação pela concessionária estadual – explicou a gerente da GERLAB, Anna Karolina Amaro.
Com a criação do Inea em 2009, o laboratório foi absorvido por este novo órgão. De lá para cá, a gerência inovou suas metodologias, adquiriu certificações e ampliou suas estruturas. Tudo isso foi fundamental para o próximo desafio que estava por vir: as olimpíadas de 2016. Na época, as provas aquáticas só foram liberadas porque o instituto já possuía a certificação necessária, que era a acreditação na Norma ISO 17025 do INMETRO (CRL 1103).
Saltando para a atualidade, mais precisamente em abril deste ano, os técnicos participaram ativamente para a solução do caso tolueno, que vazou no Rio Guapiaçu, em Guapimirim, e interrompeu o abastecimento das cidades de São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, Maricá e a Ilha de Paquetá. Durante os meses de abril e maio foram coletadas em carros, barcos e até helicóptero, mais de 1.450 amostras, em mais de 180 pontos, que analisaram diversos parâmetros fisico-químicos, metais e orgânicos. Assim como em 2008, a volta do abastecimento somente foi possível devido à agilidade analítica do laboratório, determinando os locais da poluição e possibilitando as ações de remediação.
Só neste ano, a Gerlab já analisou mais de 12.300 amostras, enquanto no ano passado foram 11.700, e em 2022, 10.782, um aumento de 5 % e 14%, respectivamente. Além dos números, a gerência ampliou seu quadro de funcionários, aprimorando e agilizando os resultados. Atualmente são aproximadamente 80 pessoas, sendo técnicos de laboratórios e coleta, administrativos e analistas ambientais, das mais diversas áreas e desde o nível técnico até doutorado.