Após 30 anos da realização da Rio-92, o Estado do Rio de Janeiro segue no posto de anfitrião das principais conferências internacionais sobre meio ambiente e sustentabilidade. Desta vez, a capital fluminense sediou, nos dias 18 e 19/10, o Latin America Climate Summit (LACS) 2022, fórum internacional que faz parte da programação da Rio2030, promovida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas).
Responsável por reunir autoridades e especialistas do mundo todo em busca de soluções para a questão climática, o evento no Hotel Copacabana Palace contribuiu positivamente para a agenda ambiental do Estado. A parceria internacional também se utilizou do vanguardismo fluminense na área para fortalecer a troca de experiência entre os países latino-americanos.
“O Rio de Janeiro é uma terra fértil para a construção de boas iniciativas e boas ideias. A partir dessa perspectiva de plantio, espero que tenhamos uma colheita de um Estado, um Brasil, uma América do Sul e um mundo mais sustentável, mais verde e mais azul. Temos que cuidar dessa nossa casa comum”, saudou o governador fluminense, Cláudio Castro, aos presentes na abertura do evento.
Além do time de peso dos órgãos ambientais estaduais, o evento contou com a participação dos estudantes do Ambiente Jovem, o maior programa de Educação Ambiental do Brasil. Neste sentido, foi destaque em diversos momentos a importância da participação da juventude nos ambientes de discussões e na tomada de decisões a respeito do futuro do planeta.
Ao apontar os avanços da implementação da agenda 2030 da ONU no território fluminense, o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, José Ricardo Brito, destacou o papel estratégico da unidade federativa nas políticas verdes. “É um prazer construir um evento tão importante para nós fazermos políticas para lidar com os desafios das mudanças climáticas. O Rio de Janeiro tem um histórico de pioneirismo no debate ambiental e continua de portas abertas para o mundo e para toda a sociedade”, afirmou o secretário.
“Somos o primeiro estado do Brasil a solicitar no processo de licenciamento ambiental o inventário de emissões de gases de efeito estufa e o plano de mitigação de alguns setores econômicos. Além disso, há o compromisso do Rio de Janeiro com o saneamento prevê a menor emissão de metano na atmosfera nos próximos 12 anos. Temos muito do que nos orgulhar”, comentou o deputado estadual Thiago Pampolha.
O LACS 2022 convidou grandes nomes locais e globais da área ambiental e de políticas públicas para debater o clima na América Latina e no Caribe, após dois anos de intervalo. Sob o tema “Mercados de Carbono para o Net Zero: Uma Era de Crescimento, Convergência, Inovação e Oportunidade”, a cúpula tratou de medidas em prol do compromisso global na diminuição dos gases de efeito estufa, bem como os ganhos da região através da precificação do carbono.
Participaram da cerimônia de abertura do evento o governador Cláudio Castro, o diretor-executivo da Autoridade de Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, Paulo Protásio, o representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Morgan Doyle, e o presidente da IETA, Dirk Forrister.
Soluções baseadas em tecnologia
Durante os dois dias de encontro organizado pela International Emissions Trading Association (IETA), os participantes puderam desfrutar de workshops, mesas e painéis sobre o papel latino-americano rumo ao Net zero, a construção de alianças em prol do desenvolvimento sustentável da região, as contribuições do setor privado à pauta e muito mais. Entre as atividades que compuseram a ampla programação da conferência, a discussão sobre o uso da tecnologia na busca de soluções para as mudanças climáticas na América Latina se destacou durante o primeiro dia de evento.
A mesa reuniu a subsecretária de Recursos Hídricos e Sustentabilidade da Seas, Ana Asti, o diretor-executivo da Ecoregistry, Juan David Duran Hernandez, o líder de políticas e engajamento da Carbon Engineering, Adam Baylin-Stern, a diretora de Sustentabilidade do Mercado Livre na América Latina, Guadalupe Marín, e a diretora de Energia da Dow Chemical Company na América Latina, Claudia Schaeffer para levantar a questão das soluções tecnológicas a partir das diferentes experiências.
A subsecretária Ana Asti aproveitou a ocasião para detalhar o novo projeto da Seas de desenvolvimento de um hub de blue tech de inovação no Estado, que será lançado em breve. A iniciativa, em parceria com a consultoria portuguesa Beta-i, busca conectar empresas a startups internacionais a fim de solucionar os desafios da economia azul no território fluminense, baseando-se em exemplos internacionais.
“É preciso começar a entender que não estamos falando de cinco oceanos, mas sim de uma massa de água única, responsável pelo equilíbrio climático do planeta. Precisamos entender o papel do oceano na atmosfera, que é responsável pela absorção de 90% do aquecimento global hoje”, explicou a subsecretária.
Além da importância dos avanços na agenda azul para a questão climática, a economia marítima compõe, segundo ela, cerca de 44% do PIB fluminense, tornando a iniciativa estadual crucial para o desenvolvimento socioeconômico da região. ”Especialmente no Rio de Janeiro, temos uma economia que depende bastante do oceano. Então, todo setor da economia do mar é capaz de gerar um desenvolvimento não só econômico, mas social, e, por isso, a tecnologia aliada às soluções baseadas na natureza acaba sendo um caminho para criarmos um potencial de evolução”, concluiu.