Notícias |03.06.2026

Inea promove mutirão de limpeza em mangue na capital fluminenseAção em comemoração à Semana do Ambiente retirou 136 quilos de resíduos em Guaratiba e reforçou agenda de conservação de ecossistemas costeiros

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) promoveu, nesta segunda-feira (1/6), em celebração à Semana do Ambiente, um mutirão de limpeza de manguezal na Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. A ação retirou cerca de 136 quilos de resíduos do ecossistema e reforçou a importância da conservação de áreas estratégicas para a biodiversidade e o enfrentamento das mudanças climáticas. A unidade também está entre as contempladas pelo programa Florestas do Amanhã, que prevê a restauração de 11 hectares de manguezal na reserva ainda este ano.

Realizada em parceria com o projeto Regenera Guará, o mutirão mobilizou equipes da unidade de conservação em um dos principais remanescentes de manguezal da Região Metropolitana. Considerado o berçário da vida marinha, o manguezal serve de abrigo e área de reprodução para diversas espécies de peixes, crustáceos e aves migratórias, além de contribuir para a proteção da linha costeira, a prevenção de inundações e o armazenamento de carbono.

– O manguezal é um dos ecossistemas mais importantes que temos. Ele protege a biodiversidade, ajuda a reduzir os impactos das mudanças climáticas e presta serviços ambientais fundamentais para a população. Esta ação simboliza um trabalho permanente de conservação que estamos fortalecendo com monitoramento, recuperação ambiental e investimentos em restauração em diferentes regiões do estado – destacou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas.

Grande parte do lixo encontrado não foi descartado na própria reserva. Os resíduos chegam ao manguezal principalmente pelo Rio Piraquê, que nasce em Campo Grande, e também pelas correntes marinhas da região da Restinga da Marambaia, em um trajeto que pode levar anos. Com a maré alta, o material é transportado para o interior do mangue.

Além dos riscos à fauna, que pode ingerir ou ficar presa aos resíduos, o acúmulo de lixo compromete a regeneração natural do manguezal. As sementes de mangue precisam alcançar a lama para se fixarem e germinarem, mas a presença de resíduos cria uma barreira física que dificulta esse processo. A retirada desses materiais faz parte da rotina de monitoramento da reserva, sendo reforçada por ações conjuntas com parceiros e voluntários.

Enquanto fortalece a conservação em campo, o Estado também avança em iniciativas estruturantes para a recuperação desses ecossistemas, como o Florestas do Amanhã. A restauração dos 11 hectares de manguezal faz parte do investimento de R$ 60 milhões em parceria com o BNDES destinado à contratação de novos projetos de recuperação ambiental em áreas prioritárias do estado.

Além de Guaratiba, o programa já possui projetos contratados para restauração de manguezais no Parque Natural Municipal Barão de Mauá, em Magé, e na Área de Proteção Ambiental de Guapimirim. De forma mais ampla, o Florestas do Amanhã já recuperou também mais de 400 hectares de Mata Atlântica em diferentes regiões fluminenses e tem a meta de restaurar outros 400 hectares ao longo deste ano.

O Rio de Janeiro integra ainda a coalizão internacional Mangrove Breakthrough, que busca ampliar a conservação e a restauração de manguezais em todo o mundo. A aliança tem como meta contribuir para a proteção e recuperação de 15 milhões de hectares desses ecossistemas até 2030, reconhecendo seu papel estratégico para a biodiversidade, a captura de carbono e a adaptação climática.