Notícias |12.03.2026

Inea realiza soltura de três répteis em MaricáEspécies voltaram ao seu habitat natural por meio do trabalho da Área de Proteção Estadual de Maricá e da ASAS

Nesta quinta-feira (12/3), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), por meio da Área de Proteção Ambiental Estadual de Maricá (APAMAR), realizou a soltura de três animais silvestres: um cágado amarelo (Acanthochelys radiolata) e duas cobras-cegas (Amphisbaena sp), também conhecidas como cobra-de-duas-cabeças. As espécies foram soltas em uma área dentro da unidade de conservação, no município de Maricá. 

– Devolver esses indivíduos à natureza é sempre renovar o compromisso de proteção ambiental do Estado do Rio de Janeiro. A cadeia alimentar é formada por diversas espécies e quando uma não está presente, o equilíbrio ecológico não existe. O Inea existe por uma razão: preservação – afirma o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

Em parceria com a Área de Soltura de Animais Silvestres de São Gonçalo (ASAS), a soltura aconteceu dentro da APAMAR. O cágado, que foi identificado como um macho adulto, teve seu retorno a um alagado. Já as cobras-cegas uma jovem e outra madura, em um local de dunas.

Muitas vezes confundido com tartarugas marinhas, ou até mesmo jabutis, o Acanthochelys radiolata é tanto aquático como terrestre. O animal vive e é encontrado na maioria das vezes em águas rasas, como por exemplo brejos, restingas e lagoas. Como o seu nome induz o imaginário, possui partes de sua casca achatadas na coloração amarela. A espécie, que é endêmica da Mata Atlântica e do Cerrado brasileiro, tem grande distribuição pelos biomas, entretanto, devido ao crescimento urbano, ela vem perdendo seu habitat natural. 

Já a Cobra-de-duas-cabeças, também conhecida como cobra-cega, chama atenção pela nomenclatura. O nome foi popularizado por conta da cauda da espécie ter a circunferência e textura parecida com a cabeça. O Acanthochelys é o único réptil cavador e utiliza seus túneis para se alimentar de espécies menores. Outro curiosidade sobre a espécie está em sua classificação, pois, em vez de ser classificada na ordem das serpentes, está em uma subordem, a AmphisbaeniaI.

Sobre a unidade de conservação

A Área de Proteção Ambiental de Maricá possui cerca de 8 km de extensão e abrange o sistema lagunar do município de Maricá, parte da Restinga de Maricá (antiga Fazenda São Bento da Lagoa), o Morro do Mololô, a Ponta do Fundão (ou Ponta da Divinéia) e toda a Ilha Cardosa, também conhecida como Ilha dos Amores.

A restinga é um ecossistema costeiro integrante do bioma Mata Atlântica, formado por dunas, cordões arenosos e uma faixa de vegetação que se torna mais arborescente à medida que avança para o interior. Apesar da grande diversidade ambiental e biológica, o solo não é sua principal fonte de nutrientes, sendo a própria vegetação o principal suporte desse ecossistema.

Entre seus principais serviços ambientais estão a proteção e manutenção do perfil costeiro, a preservação da biodiversidade, a regulação do microclima e a mitigação dos impactos do aumento do nível do mar decorrente das mudanças climáticas.

A unidade também apresenta grande potencial para o turismo de aventura, o turismo de base comunitária e o turismo sustentável, além do desenvolvimento de projetos ambientais e de Ciência Cidadã, práticas esportivas e de lazer, pesquisas científicas e ações de voluntariado.