O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) inaugurou na última quarta-feira (16/3), o Centro de Estudos Ambientais e Beneficiamento de Sementes (CEABS) do Parque Estadual da Pedra Selada, no município de Resende. O evento, na sede da unidade de conservação em Visconde de Mauá, no Sul Fluminense, contou com a presença do secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro, Thiago Pampolha, e estudantes da rede pública que realizaram o plantio de 10 mudas de araucárias.
Durante a inauguração, o secretário Thiago Pampolha destacou a relevância do projeto para a sociedade fluminense: “A criação de um centro de estudos dessa magnitude é motivo de orgulho não só para o instituto, mas também para a comunidade científica de todo o estado. O investimento na tecnologia de banco de sementes favorece na proteção e fortalecimento das unidades de conservação, permitindo que suas espécies sejam perpetuadas durante muitos anos”, explica o secretário.
A inauguração do centro aperfeiçoa o Laboratório de Sementes. Criado em 2019 pela equipe do parque, o projeto tem a finalidade de preservar as espécies da flora nativa por meio da coleta e tratamento de sementes que, posteriormente, são reintroduzidas na natureza como mudas. Até o momento, o Inea administrava apenas o Banco Estadual de Sementes Florestais (BESEF) no município de Santa Maria Madalena, no Norte Fluminense.
O gestor do Parque, Gabriel Landim, realçou também a importância educativa do centro. “Desde a inauguração, nós já recebemos mais turmas de crianças do que em todo o ano passado, estamos com fila de escolas porque o laboratório tem um papel muito importante na educação. É uma oportunidade de mostrar na prática o que ensinamos em palestras e apresentações”, afirmou.
O CEABS foi idealizado, a princípio, para potencializar as ações do projeto na etapa de beneficiamento, que consiste na limpeza, secagem e acomodação dos grãos. Contudo, a larga oferta de equipamentos tecnológicos para pesquisa permite que o espaço seja amplamente usufruído pela comunidade científica e para atividades de educação ambiental nas escolas.
Para o biólogo e técnico responsável, Sandro Muniz, a UC deve ser uma unidade de transformação do entorno, beneficiando as comunidades em todos os aspectos. “Falar de fauna é mais simples, as crianças e adultos são mais fortemente sensibilizados pelas questões que tocam os animais, mas falar de plantas e sua importância para toda a vida é mais difícil, e esse laboratório vem ajudar nessa importante tarefa de sensibilizar e tocar o coração para o grande grupo de seres vivos que são os vegetais, a base da vida” ressaltou.
Para o guarda-parque André Gentil, biólogo e um dos fundadores do Laboratório de Sementes, o espaço é uma oportunidade de atrair novos pesquisadores. “A estrutura daqui é única no Rio de Janeiro”, afirmou.
Desde 2020, já foram mais de 3 mil mudas plantadas dentre as 30 espécies nativas participantes do projeto e agora, com a inauguração do centro, eles pretendem dobrar esse número em 2022. Além disso, as mudas que não são reintroduzidas na natureza ficam disponíveis para a doação a escolas, universidades, visitantes e turistas e podem ser utilizadas, por exemplo, no projeto de restauração florestal desenvolvido pelo PEPS, o sistema de Núcleos de Diversidade no Bosque do Visconde.