Notícias |18.03.2026

Mês de março presenteia a natureza com “explosão” de várias espécies de borboletasParque Estadual da Serra da Tiririca, unidade de conservação gerida pelo Inea, abriga 293 espécies de borboletas

Onde quer que estejam, elas não conseguem passar despercebidas: São as borboletas que encantam com suas cores, e que podem ser observadas em qualquer época do ano. Contudo, são nos meses de março e abril que podem ser avistadas em grande quantidade e com mais frequência. Mas, porque isso ocorre? Por diversos fatores naturais que estão diretamente ligados ao final da temporada das fortes chuvas, ao calor residual do verão e de alguns ciclos migratórios.

A  abundância das chuvas, uma  característica da estação mais quente do ano, contribui para tornar a vegetação mais frondosa, um prato cheio para as lagartas se alimentarem. Além disso, no verão, o calor e a umidade  oferecem a temperatura ideal para as borboletas. Isso porque esses insetos têm sangue frio e necessitam do calor residual de março para seu metabolismo e ciclo de vida.

Outro fator que contribui para a presença maciça das borboletas, nesta época do ano,  é o fato delas se reproduzirem intensamente em ambiente quente e úmido, atingindo o final da sua metamorfose nos meses de março e abril.

Várias  espécies de borboletas podem ser observadas nas unidades de conservação estaduais administradas pelo Inea. Só no Parque Estadual da Serra da Tiririca, que abrange parte dos municípios de Niterói e Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, há 293 espécies de borboletas de seis famílias do gênero lepidópteros. O levantamento faz parte de uma pesquisa realizada pelo guarda-parque do Inea, Marcello  Costa de Faria, que cursa Biologia na Fundação Cecierj (Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro). Os dados integram o seu Trabalho de Conclusão de Curso.

– A presença dessas espécies em nossos parques nos mostram a riqueza que a nossa Mata Atlântica abriga,  e o quão importante é implementar políticas públicas para a preservação do nosso patrimônio ambiental. Estamos atuando nesse sentido, em políticas públicas que visam o fortalecimento das unidades de conservação – destacou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

Dentre as espécies já registradas no Parque Estadual da Serra da Tiririca estão: capitão do mato (Morpho  helenor), que chama atenção pelas nuances de cores (marrom, azul e preto, com detalhes em laranja e amarelo); olhos de coruja (Caligo brasiliensis), que carrega um detalhe de cor preta em suas asas, semelhante a um olho; a Myscelia orsis, cujas asas apresentam uma tonalidade azul intenso; e a estaladeira castanha (Hamadryas iphthime) que, durante o voo, produz um  ruído semelhante a estalidos de dedos.

– As borboletas são bioindicadores de qualidade ambiental e, por serem muito sensíveis ao seu micro habitats, respondem rápido a qualquer impacto ao meio ambiente. Esses insetos desempenham funções essenciais nos ecossistemas atuando como polinizadoras e contribuindo para os ciclos de nutrientes no ambiente. Também fazem parte da cadeia alimentar, sendo fonte de alimento para diversas espécies de aves, répteis e pequenos mamíferos – explicou o pesquisador.

 

Curiosidades sobre as borboletas

 

As borboletas têm receptores de sabor nos pés para ajudá-las a encontrar as plantas hospedeiras. Dessa forma uma borboleta pousa em plantas diferentes, batendo as folhas com os pés até que a planta libere seus sucos.

As borboletas precisam de uma temperatura corporal ideal para voar. Porém, como são animais de sangue frio, não podem regular a temperatura de seu próprio corpo. Se a temperatura do ar cai abaixo de 12 graus, as borboletas ficam imobilizadas – incapazes de fugir dos predadores ou se alimentar.

Quando emerge da pupa quando adulta, uma borboleta tem apenas duas a quatro semanas para viver, na maioria dos casos. Durante esse tempo, concentra toda sua energia em duas tarefas: comer e acasalar.