Onde quer que estejam, elas não conseguem passar despercebidas: São as borboletas que encantam com suas cores, e que podem ser observadas em qualquer época do ano. Contudo, são nos meses de março e abril que podem ser avistadas em grande quantidade e com mais frequência. Mas, porque isso ocorre? Por diversos fatores naturais que estão diretamente ligados ao final da temporada das fortes chuvas, ao calor residual do verão e de alguns ciclos migratórios.
A abundância das chuvas, uma característica da estação mais quente do ano, contribui para tornar a vegetação mais frondosa, um prato cheio para as lagartas se alimentarem. Além disso, no verão, o calor e a umidade oferecem a temperatura ideal para as borboletas. Isso porque esses insetos têm sangue frio e necessitam do calor residual de março para seu metabolismo e ciclo de vida.
Outro fator que contribui para a presença maciça das borboletas, nesta época do ano, é o fato delas se reproduzirem intensamente em ambiente quente e úmido, atingindo o final da sua metamorfose nos meses de março e abril.
Várias espécies de borboletas podem ser observadas nas unidades de conservação estaduais administradas pelo Inea. Só no Parque Estadual da Serra da Tiririca, que abrange parte dos municípios de Niterói e Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, há 293 espécies de borboletas de seis famílias do gênero lepidópteros. O levantamento faz parte de uma pesquisa realizada pelo guarda-parque do Inea, Marcello Costa de Faria, que cursa Biologia na Fundação Cecierj (Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro). Os dados integram o seu Trabalho de Conclusão de Curso.
– A presença dessas espécies em nossos parques nos mostram a riqueza que a nossa Mata Atlântica abriga, e o quão importante é implementar políticas públicas para a preservação do nosso patrimônio ambiental. Estamos atuando nesse sentido, em políticas públicas que visam o fortalecimento das unidades de conservação – destacou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.
Dentre as espécies já registradas no Parque Estadual da Serra da Tiririca estão: capitão do mato (Morpho helenor), que chama atenção pelas nuances de cores (marrom, azul e preto, com detalhes em laranja e amarelo); olhos de coruja (Caligo brasiliensis), que carrega um detalhe de cor preta em suas asas, semelhante a um olho; a Myscelia orsis, cujas asas apresentam uma tonalidade azul intenso; e a estaladeira castanha (Hamadryas iphthime) que, durante o voo, produz um ruído semelhante a estalidos de dedos.
– As borboletas são bioindicadores de qualidade ambiental e, por serem muito sensíveis ao seu micro habitats, respondem rápido a qualquer impacto ao meio ambiente. Esses insetos desempenham funções essenciais nos ecossistemas atuando como polinizadoras e contribuindo para os ciclos de nutrientes no ambiente. Também fazem parte da cadeia alimentar, sendo fonte de alimento para diversas espécies de aves, répteis e pequenos mamíferos – explicou o pesquisador.
Curiosidades sobre as borboletas
As borboletas têm receptores de sabor nos pés para ajudá-las a encontrar as plantas hospedeiras. Dessa forma uma borboleta pousa em plantas diferentes, batendo as folhas com os pés até que a planta libere seus sucos.
As borboletas precisam de uma temperatura corporal ideal para voar. Porém, como são animais de sangue frio, não podem regular a temperatura de seu próprio corpo. Se a temperatura do ar cai abaixo de 12 graus, as borboletas ficam imobilizadas – incapazes de fugir dos predadores ou se alimentar.
Quando emerge da pupa quando adulta, uma borboleta tem apenas duas a quatro semanas para viver, na maioria dos casos. Durante esse tempo, concentra toda sua energia em duas tarefas: comer e acasalar.