Notícias |08.06.2026

Parque Estadual da Pedra Branca do Inea abriga um dos maiores exemplares de pau brasil do Estado do Rio de JaneiroEspécie foi localizada no Núcleo Piraquara da unidade de conservação, em Realengo

Um dos maiores exemplares de pau-brasil (Paubrasilia echinata (Lam.) Gagnon, H.C.Lima & G.P.Lewis – Fabaceae) já identificados na Cidade do Rio de Janeiro habita o Parque Estadual da Pedra Branca, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e situada em uma densa área urbana: o parque abrange parte de 17 bairros das zonas oeste e sudoeste do Rio de Janeiro.

Com 16 metros de altura – o equivalente a um prédio de cinco andares, a espécie foi identificada pelo coordenador de voluntariado da Trilha Transcarioca, o pesquisador Diego Monsores durante uma atividade de monitoramento, no início de maio, no núcleo Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, em Realengo.

A presença de um exemplar centenário de pau-brasil associado a uma linhagem endêmica e rara evidencia a importância estratégica do Parque Estadual da Pedra Branca para a conservação da biodiversidade e do patrimônio genético da Mata Atlântica. Essas descobertas mostram que fragmentos florestais urbanos podem desempenhar papel decisivo na manutenção de espécies ameaçadas e reforçam a necessidade de ampliar ações de pesquisa, monitoramento e conservação nessas áreas protegidas — destacou a diretora de Biodiversidade, Ecossistemas e Áreas Protegidas do Inea, Julia Bochner.

A árvore apresenta uma circunferência de 2,35 metros: para abraçar o seu tronco são necessárias três pessoas adultas de mãos dadas. Parceira do Inea, a Trilha Transcarioca promove o projeto Pró Espécies, que atua no mapeamento de comunidade de plantas ameaçadas de extinção presente nas matas do corredor florestal da trilha que possui mais de 184 quilômetros, sendo considerada a primeira trilha de longo curso do país.

A árvore, que pode ter mais de 200 anos, foi localizada por meio dos monitoramentos aéreos realizados com drones, ao longo dos trechos da trilha. Segundo Monsores, a tecnologia tem sido uma grande aliada da conservação ambiental.

– Utilizamos desde câmeras trap para monitoramento de fauna a drones que realizam o mapeamento aéreo da copa das árvores. O objetivo é observar, localizar e mapear espécies ameaçadas, auxiliando diretamente a unidade de conservação na proteção dessas espécies tão importante. A proposta é realizar a coleta de sementes e a produção de mudas desses exemplares, a fim de garantir a preservação da diversidade genética local e fortalecer futuras ações de restauração ecológica – destacou ele.

Na mesma trilha, outra surpresa: foi encontrada uma população de, aproximadamente, 50 indivíduos de pau-brasil-folha-arruda-RJ, espécie raríssima e exclusiva do Estado do Rio de Janeiro.

Até poucos anos atrás, o pau-brasil era conhecido apenas por três morfotipos: folha de Arruda, folha-de-café e folha-de-laranja. Porém, com o avanço das pesquisas sobre o genoma do pau-brasil, foram identificadas cinco linhagens que vivem no litoral brasileiro: norte, arruda-BA, laranja, café e arruda-RJ, sendo este último exclusivo do Estado do Rio de Janeiro, segundo o pesquisador Dr. Haroldo Cavalcante de Lima, do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um dos autores desse estudo.

Recentemente, um estudo conduzido pela bióloga e pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Patrícia da Rosa, confirmou a existência da população nativa de pau-brasil-folha-arruda-RJ.

Segundo a pesquisadora, a linhagem arruda-RJ é endêmica do Rio de Janeiro. Isso transforma o Estado do Rio em responsável direto pela conservação dessa diversidade genética única da flora brasileira. Essas descobertas também mostram que fragmentos florestais urbanos ainda conservam biodiversidade de altíssimo valor ecológico e genético.

– O núcleo Piraquara, por exemplo, foi identificado como um dos poucos fragmentos de alta prioridade para conservação da linhagem arruda-RJ, reunindo populações saudáveis, regeneração natural e potencial para produção de sementes e mudas destinadas à restauração ecológica. A redescoberta dessas populações nativas representa uma notícia extremamente importante para a conservação da Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro. Isso confirma que ainda existem remanescentes com pau-brasil da linhagem arruda-RJ sobrevivendo em áreas urbanas, mesmo após séculos de exploração e perda de habitat – ressaltou Patrícia da Rosa.

Sobre o parque

Com 12.491,72 hectares de área, o Parque Estadual da Pedra Branca foi criado pela Lei Estadual nº 2.377 de 28 de junho de 1974. É considerado uma das maiores florestas em área urbana do mundo. A unidade de conservação abrange parte de 17 bairros das zonas oeste e sudoeste do Rio de Janeiro: Jacarepaguá, Taquara, Camorim, Vargem Pequena, Vargem Grande, Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Padre Miguel, Bangu, Senador Camará, Jardim Sulacap, Realengo, Santíssimo, Campo Grande, Senador Vasconcelos, Guaratiba e Barra de Guaratiba.

O parque foi criado com o objetivo de preservar remanescentes florestais e mananciais hídricos ameaçados pela expansão urbana, proteger construções históricas, ruínas e sítios arqueológicos, dentre outros.