Com o objetivo de fomentar a realização de pesquisas científicas nas Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) promoveu em 24 de agosto de 2017, o 1º Encontro Científico de RPPNs, na Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu, na região metropolitana do Grande Rio.
As RPPNs são unidades de conservação de proteção integral de propriedade privada e cujas atividades permitidas são educação ambiental, turismo e pesquisa científica. São criadas voluntariamente pelos proprietários e averbadas nas matrículas dos imóveis. O reconhecimento de reserva é perpétuo e acompanha a vida da propriedade, a qual pode ser vendida, doada e/ou transmitida a qualquer título. Nesse sentido, é uma ferramenta estratégica para a conservação da Mata Atlântica, uma vez que aproximadamente 80% deste bioma encontram-se em terras privadas. Atualmente, já existem 81 Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs) reconhecidas pelo Inea, o que corresponde a aproximadamente 7 mil hectares.
Informação pelo uso sustentável
Segundo a coordenadora do projeto RPPN do Inea, Roberta Guagliardi, as RPPNs estão em propriedades privadas que abrigam recursos naturais, muitas vezes desconhecidos. Daí a importância da realização de pesquisas nessas reservas:
“Quanto mais informações os proprietários tiverem sobre suas RPPNs, mais ferramentas para a gestão das mesmas eles terão, podendo acessar ferramentas importantes para a consolidação de sua unidade de conservação. Por meio do incentivo à pesquisa, esses proprietários terão mais condições de formalizar parcerias com instituições de ensino e de pesquisas públicas ou privadas nacionais ou internacionais”, ressaltou Roberta Guagliardi, destacando que a pesquisa poderá também despertar o interesse de instituições de ensino para elaboração do Plano de Manejo, por exemplo.
Os resultados dessas pesquisas também podem ser utilizados pelo entorno das RPPNs. Uma espécie endêmica que venha ser descoberta pode, por exemplo, virar uma espécie símbolo de uma região, fomentando assim o desenvolvimento local.
“O número de inscritos nos surpreendeu o que nos dá a certeza da importância da realização deste tipo de evento e também reflete o interesse dos pesquisadores e de proprietários de terras nesse tema”, acrescentou o gerente das Unidades de Conservação do Inea, Ricardo Raposo.
“A RPPN é uma ferramenta muito importante, chancelada pelo Inea, que permite a preservação de uma propriedade particular eternamente. Eu aprovo e recomendo”, disse ainda Nicholas Locke, proprietário da Reserva Ecológica Guapiaçu, que é uma RPPN.
Interesse é grande
Criado há quase uma década, o Programa RPPN é uma iniciativa da Diretoria de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas (Dibape) do Inea. Atualmente há mais de 50 processos de novas reservas em análise. Além disso, já foram realizadas mais de 70 palestras sobre o tema em vários municípios fluminenses e cinco oficinas de capacitação sobre elaboração de Planos de Manejo para os proprietários das RPPNs.
Para criar uma Reserva Particular de Patrimônio Natural, o proprietário deve protocolar o requerimento para criação no Inea, que irá analisar a relevância ambiental da área.